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A tentativa de (re)implantação de uma Ditadura e o perigo iminente à educação no Brasil
A educação liberta e quem se incomoda a aprisiona. Ou tenta fazê-lo. E o faz porque porta covardia.
A persistente tentativa de nos conformar em padrões — de raça, religião, sexo, estética ou condição financeira —, a fim de que sejamos previsíveis e, em consequência, controláveis, entra em confronto com os princípios e funções matrizes de um processo educativo transformador.
Neste ponto de nossa história — até mesmo em âmbito mundial — a educação tem sofrido ataque que já perdura décadas e finca suas garras na geração atual, mas também na vindoura, por meio do esquecimento e recriação do passado.
Se, em período não muito distante, houve acampamentos militares espalhados pelos Estados brasileiros que clamavam pelo retorno de um governo controlado pelo corpo de guerra e não pelo corpo do pensamento ou da liberdade, a tentativa de golpe realizada de modo mais explícito foi punida pelo Judiciário brasileiro, porém, ao que parece, tem esta responsabilização já em questionamento dentro do próprio Poder julgador máximo da nação.
Discursos inflamados de cunho antidemocrático, mas que se utilizam exatamente do termo da “redemocratização” perfazem mais um meio de engodo à nação e permitem a encruzilhada perfeita para o povo, que crê estar colocando como representantes aqueles que querem a melhoria de suas condições, enquanto aqueles somente procuram melhorar seu próprio status financeiro e de colocação social.
Também a via educacional federal das nossas universidades públicas periga perder financiamento, liberdade de expressão, diálogo e independência nos conteúdos ministrados, já que é proposta dos mesmos representantes políticos — tanto os já eleitos como os que ainda buscam tal feito — a mudança da governança educacional pátria do Ministério da Educação para o Ministério da Inovação e Ciência — destacando não apenas uma mudança léxica, mas, sim, propositalmente voltada à ideologia da tecnologização do ensino, pautada por parâmetros de produtividade, ao revés de diversidade e conhecimento ampliado aos educandos.
Não há tempo hábil para verdadeira transformação na compreensão por parte dos votantes dos perigos iminentes a eles próprios, quiçá, porém, o que é plenamente realizável por cada um de nós é a exposição plena para o próximo de nossas diferenças, que devem também ser dignificadas pelo próprio espelhamento da diferença. Contraditório, talvez, a princípio, mas explico.
Se há um discurso extremista sendo utilizado para excluir e isolar, devemos apontar a nossos entes com acesso de sangue, lazer, trabalho ou educação, que, embora todos sejamos extremamente variados em nossas opiniões, visões de mundo e gostos como um todo, temos, com certeza, muito mais similaridades que nos aproximam do que aquelas que nos separam.
O ser humano é contemplado por características únicas em cada um, porém todos temos uma família, todos precisamos de amigos, gostamos de nos divertir e queremos a melhor condição de vida para quem amamos. Parece óbvio, mas estamos esquecendo do básico, realmente.
Se John Lennon cantava que o mundo poderia ser um, ainda creio que possamos encontrar esse resultado, apesar da força dos algoritmos e do capitalismo selvagem que se opõe. A igualdade também reside na possibilidade do encontro, ao revés da violência e, até mesmo aqueles que gritam e não querem escutar, sentem a dor do sofrimento e não querem, de fato, o genocídio que pode decorrer fatalmente na ausência da empatia.
Ninguém realmente apoia campos de concentração ou porões de sofrimento, senão como recurso último de legítima defesa. Mas não temos do que nos defender, senão daqueles que tentam colocar toda uma nação sob a égide da espada alheia. Estes, sim estão nos colocando como alvos ideais, por meio do medo eriçado a fim de que percamos as balizas esperadas de humanidade. Não permitamos tal abuso sobre nossa dignidade e liberdade.
Ouso dizer: usemos as armas que temos à disposição: o discurso objetivo e a presença que podemos e devemos realizar frente a todos que nos cercam. Sim, vamos para as ruas e preguemos, não valores morais, mas valores humanos, pelos quais poderemos dizer que, ainda que haja aqueles que querem nos enganar com o medo, não superarão a força que tem a verdade da capacidade humana do amor.
Devemos unir-nos e utilizar as ferramentas manipuladas contra a liberdade, a favor, sim, da manutenção desta, por meio, não necessariamente do apoio a um ente político, mas da demonstração do perigo a cada um de nós no discurso que prega o ódio e a unilateralidade de percepção do mundo. Porque logo, seremos nós mesmos os calados, basta que aquele que está no poder não goste de nossa fala.
Ah, sejamos mais piegas, que seja. E pela união, que poderá, sim, criar a força, uniremos também a capacidade humana de empatia e que se importa, sim, com o diferente, ao revés de o temer. Façamos isso, em nome de um futuro e presente democrático para nós mesmos. E se aqueles que tentam nos enganar perderem sua força em consequência, será um bônus tão somente.
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